De Luiz Cotta

Com Marielle e com todas elas

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A cabeça entra em loop e os olhos ardem. Não há surpresa em saber que os protagonistas da cena a tenham perpetrado. Dói é saber que há, muito perto, quem desculpe e apoie. Há quem diminua essa agressão, essa violência revivida, justificada como “defesa do patrimônio”, um ato contra “o vandalismo de cobrir a placa original”.

Fez-se tarde na luta contra o fascismo e tudo o que ele representa. Havemos de lutar na noite e esperar que não avancemos madrugada adentro.

Apoia.se

Ainda é um projeto zigótico, mas tá no ar. Estou experimentando “financiamento coletivo contínuo” pelo Apoia.se.

Não é uma crítica ao serviço, mas é bem difícil definir preços a um trabalho abstrato. Tem que comprar hospedagem própria, pro site ficar mais rápido, tem que manter o tempo disponível pra escrever, desenhar e publicar. Tem que manter a divulgação, pra coisa andar…

Às minhas atuais queridas apoiadoras – e aos próximos – peço alguma paciência. A ideia é manter, não apenas o Ique, mas outras duas tirinhas, já a caminho.

Do Ique, vêm aí as canecas, as camisetas, agendas e, claro!, a lojinha! Uma recompensa na horizonte é desconto na loja. Fica de olho aí que tá vindo!

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Você é o Ique, eu presumo

Tentei por muitos anos estar mais distante do personagem que criei. Queria que ele tivesse uma espécie de vida própria, que fosse mais independente das minhas desventuras. Nunca consegui.

Revendo algumas das velhas tiras que não se perderam, encontrei algumas que falam de estatura e cabelo. O Ique é um neurônio! Nem estatura, nem o corte de cabelo importam. Mas escrever a tirinha era como olhar no espelho sem gostar do que eu via.

Tendo perdido o acervo – digital e físico – dá pra repensar tudo. A primeira tirinha produzida em 2018 ainda liga-se ao passado e, sobretudo, à velha dinâmica do personagem. Platonices ainda estão no horizonte – o Ique é um incorrigível e inseguro romântico – mas há mais por fazer. 

No primeiro esforço, foi preciso prever uma trajetória mais longa (temos texto para algumas semanas!) e até reaprender a desenhá-lo com as novas ferramentas que uso. Recomeçamos, Ique e eu, no mesmo ponto em comum, a história que (quase) deu cabo dele. Tendo o autor a superado, é a vez do Ique explorá-la pra construir uma história mais própria, mais neurônica.

A patronagem que me puxe a orelha, se o rapazinho, de novo, desandar.

Pra participar e apoiar o Ique, acesse http://apoia.se/luizcotta

Mais uma vez…

Perdi a conta de quantas vezes disse isso, mas lá vai mais uma tentativa com o Ique. Cheguei a “enterrá-lo” em 2015 e estava seguro de que não o veria mais, apesar de ter querido fazer um pequeno compêndio pra poder guardar ou presentear os amigos. Ao contrário, perdi meu backup e o Ique não tem mais um registro da sua história.

É uma figura difícil de usar nos tempos em que vivemos, mas não foi só a história dele que queimei. Queimei o próprio. Fui e voltei tantas vezes que comprometi o carisma do rapazinho. Na tentativa nova, o trabalho é também reconstruir uma imagem. (Peço desculpas pelas metáforas face ao crime que ocorreu no Rio, mas também está na cabeça.)

A decisão tem dois motivos principais: a internet deixa. De todas as vezes que tentei, dividia o Ique com o esforço diário de pagar as contas e as minhas próprias mazelas amorosas. Agora, há caminhos para que o projeto seja financiável. Só preciso alcançar velhos fãs de novo. (As mazelas amorosas não se consertam). O outro motivo é que nunca desisti de ter uma tirinha. Mas são muitos temas e muitos caminhos.

Um tema importante pra mim é o machismo. A cultura do estupro é uma ameaça grave ao presente. Entendo que é preciso mudar a forma como educamos nossos meninos e meninas. A gente precisa ampliar o entendimento dos papeis a que nos acostumamos para que sejamos pessoas mais plenas.

Uma ideia chamou-se provisoriamente “Como ser um homem”, que era pra ser um manual com críticas ao aprendizado machista por que passamos. Nunca achei um caminho, nunca desenhei nada. E pensava no que o Ique representava nessa direção. Eu era um moleque machista, imaturo. Escrevi tirinhas que podem não ter sido ofensivas, mas que não faria de novo. O que o Ique procurava, assim como eu, era uma maneira de conciliar sua personalidade com as dificuldades do relacionamento entre um homem e uma mulher e, mais tarde, entre pessoas, em geral.

Com a necessidade de um futuro mais feminino e de homens melhor preparados, pareceu adequado ressuscitar o rapaz e expandir a conversa, sem os velhos repetecos, tentando temas mais universais. Como eu, Ique é um “canalha em recuperação” e tem muito o que aprender.4

Tentemos de novo, tanto aprender quanto dar vida ao meu menino.